drama do blogue desde a Europa

Desabafo: o blogue da WordPress é ótimo para textos, mas para fotos é péssimo. Não há jeito de determinar a ordem em que ele coloca as imagens postadas. A gente arruma em uma ordem precisa e na hora de publicar ele troca tudo. Sofri com isso na Europa e sofro hoje de novo.

De qualquer forma, relevem a ordem caótica das imagens no último post.

Grrrrr

ps.: se você abrir primeiro a foto noturna (topo do Empire State) e ir clicando as próximas, a ordem das imagens fica correta. Vai entender…

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Nova York

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terra à vista – depois de muito Caribe e Triângulo das Bermudas, a América do Norte!

costa leste da América do Norte, ao sul de Nova York (estado de New Jersey).

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deixando a América do Sul rumo ao Caribe

Foz do rio Essequibo, na costa da Guiana. É uma costa de água marrom, típica da Amazônia, pelos muitos sedimentos que os enormes rios carregam.

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o incrível de NY

Empire State Building visto do topo do Rockefeller Center

Se você quer ser surpreendido, pule este post. Ele não traz novidade nenhuma. Nem mesmo em relação ao meu passado – ainda tão recente – de viajante.

Minha pele arrepiou inteira ao ver o Coliseu e o Partenon. Me embasbaquei com a Torre Eiffel e me emocionei de dar nó com o Big Ben tocando grave às margens do Tâmisa. Podia ser uma palácio perdido que quase ninguém conhece ou um vitral qualquer de uma anônima igrejinha de bairro, mas não. Foram as velhas e batidas mega-atrações-de-sempre que me arrastaram além, desculpem.

Nova York não foge à essa regra. Muita coisa é linda, mas es-pe-ta-cu-lar é o Empire State, pairando no ar com sua agulha quase infinita. Perfeito em sua geometria. Poesia em concreto e aço inox. Cheguei a caminhar de costas só para continuar a vê-lo nas rotas contrárias.

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sobre os museus

Talvez mimado pelos Louvres da vida, o fato é que não gostei dos museus de NY. Com uma única exceção: o encantador MoMA.

O povo jogado no chão, o clima relax, fotos permitidas, experimentalismo ultra contemporâneo ao lado (ou abaixo) de Monet, luz, amplitude, um acervo deslumbrante. O MoMA é exatamente o que diz ser: moderno.

O resto é resto.

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pílulas de NY – 2

- Ao contrário da lenda generalizada de que estadunidenses compram até pipoca em estádio com cartão de crédito, o que vi em todos os lugares foi muito dinheiro vivo correndo. Até na loja de eletrônicos B&H – coisas caras – havia caixas reservadas apenas para pagamento cash.

- Há muitas delis em NY, a maioria misturando autosserviço (tipo saladas e sanduíches prontos e bebidas, tudo em gôndolas refrigeradas), comida em rechauds como em um quilo (só em algumas lojas) e balcões onde você pede para montar seu sanduíche ou prato. Uma pessoa gasta em média 12 dólares para comer um sanduíche, um iced tea e um doce.

- Descobri com alegria que minha deli britânica predileta, a Pret a manger (100% autosserviço), possui montes de filiais em NY. Total dejá vu. Mas apenas meia alegria: o sanduíche de pato com geleia, que me deliciava nas terras da rainha, não existe em NY.

- UK x USA: o inglês é uma língua de contrastes. O to take away (versão anglófona do nosso “para viagem”), que eu usava com grande sucesso em Londres & Edinburgh, só servia para deixar os atendentes das delis de NY confusos. Demorou para eu perceber que os ianques usam um simples “to go” quando querem levar a comida pra casa (ou hotel). 

- Ecologia zero. Na Europa, eu - já 100% local - andava sempre com uma resistente sacola húngara na mochila e fazia a alegria dos balconistas ao pronunciar as palavras mágicas: I have a bag. Supermercados e delis europeus odeiam te dar sacolas. Em NY, ha ha ha. Eu dizia que tinha a sacola e eles me olhavam como se eu fosse de Marte, enquanto iam pondo minhas coisas em uma sacola novinha, sem pestanejar…

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pílulas novaiorquinas

- É surpreendente como os estadunidenses, ao menos em NY, não tomam refrigerante. E mesmo marcas como Coca-Cola estão muito menos presentes nas ruas por aqui – em letreiros e afins - do que no Brasil. O que se toma mesmo é chá, principalmente gelado e com limão. Até no Mc Donald’s tem iced tea à venda.

- Engraçado como as pessoas pegam táxi em NY. Elas vão caminhando na beira da calçada, conversando com alguém ou falando no celular, e enquanto isso estendem o braço em direção à rua. Quando um táxi se dignar a parar, elas entram e pronto. Mas como estão distraídas, às vezes o carro para e elas continuam a andar…

- As chuvas de primavera trazem um efeito bonito: uma forte neblina cobre o topo dos edifícios mais altos (aqui coisa de mais de 50 andares). Como são quase todos iluminados, à noite tem uns clarões “da hora” no céu.

- O número de orientais, principalmente chineses, em NY, assusta. Pensar que é 0,00000001% da população chinesa, mais ainda. Se o pessoal resolver emigrar pra valer, o mundo vira chinês em meses.

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Grande maçã desvairada

Sim, lugares-comuns à parte, Nova York e São Paulo são gêmeas. Em ambas há a mesma energia, o mesmo ajuntamento de estrangeiros querendo vencer, o mesmo contraste entre ultra riqueza e ultra miséria, a mesma sensação de que tudo é possível, comprável, consumível. Não é assim em Londres, muito menos em Paris. Das megalópolis ocidentais não conheço Ciudad de Mexico, então fica a dúvida no ar. Mas, por ora, só São Paulo se iguala a NY.

Com algumas importantes diferenças, porém.

Mais do que a ausência da imensa cidade ilegal que cerca a SP legal (não sou romântico, para mim ou é lei urbanística rigorosa ou a pessoa vira bicho empilhado em barraco de bloco – muitas vezes em áreas de risco), é a constância de Manhattan como coração de NY que mais diferencia – na minha visão – as duas cidades.

São Paulo passa por um processo de suicídio urbano que NY nem imagina como seja. SP se isola das ruas em condomínios fechados, vias expressas e shoppings centers, enquanto NY segue cultuando a calçada e a caminhada de uma maneira deliciosa. SP abandona os espaços urbanos tradicionais de uma forma vergonhosamente predatória, enquanto NY reinventa e recicla seus antigos bairros e edifícios de tempos em tempos.

O que mais se lê de NY é que o SoHo era um horror de decadente mas hoje blá blá blá, Times Square idem, Tribeca idem etc. etc. etc. Em SP, temos a piada da Nova Luz. Piada de mau gosto.

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distâncias em NY

A parte mais antiga da cidade (séculos XVII e XVIII), o extremo sul de Manhattan, tem ruas tortuosas e estreitas como de qualquer lugar centenário. É ao norte dessa área que começa o conhecido tabuleiro de xadrez de NY, com avenidas correndo de sul a norte e ruas atravessando de leste a oeste.

Na grade, as ruas são nomeadas sempre por números, as avenidas nem sempre.

Algumas ruas são tão largas quanto as avenidas, como a 34th e a 42th. Mas, se corre de leste a oeste, é street, não discuta.

Ocorre que, no xadrez, as quadras são retangulares e não quadradas. E bem retangulares.

Quem anda pelas avenidas, percebe que a distância entre as ruas é mínima, coisa de uns 50 metros, talvez 40. Já quem caminha pelas ruas, nota que a distância entre as avenidas é bem grande, uns 120 metros, por baixo.

Ou seja: caminhar por dez ruas (c. de 500 metros) corresponde a fazer um percurso apenas um pouco maior que caminhar entre 3 avenidas (uns 360 metros). Bom lembrar disso quando traçar roteiros a pé.

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