Sim, lugares-comuns à parte, Nova York e São Paulo são gêmeas. Em ambas há a mesma energia, o mesmo ajuntamento de estrangeiros querendo vencer, o mesmo contraste entre ultra riqueza e ultra miséria, a mesma sensação de que tudo é possível, comprável, consumível. Não é assim em Londres, muito menos em Paris. Das megalópolis ocidentais não conheço Ciudad de Mexico, então fica a dúvida no ar. Mas, por ora, só São Paulo se iguala a NY.
Com algumas importantes diferenças, porém.
Mais do que a ausência da imensa cidade ilegal que cerca a SP legal (não sou romântico, para mim ou é lei urbanística rigorosa ou a pessoa vira bicho empilhado em barraco de bloco – muitas vezes em áreas de risco), é a constância de Manhattan como coração de NY que mais diferencia – na minha visão – as duas cidades.
São Paulo passa por um processo de suicídio urbano que NY nem imagina como seja. SP se isola das ruas em condomínios fechados, vias expressas e shoppings centers, enquanto NY segue cultuando a calçada e a caminhada de uma maneira deliciosa. SP abandona os espaços urbanos tradicionais de uma forma vergonhosamente predatória, enquanto NY reinventa e recicla seus antigos bairros e edifícios de tempos em tempos.
O que mais se lê de NY é que o SoHo era um horror de decadente mas hoje blá blá blá, Times Square idem, Tribeca idem etc. etc. etc. Em SP, temos a piada da Nova Luz. Piada de mau gosto.