mediunidade urbanística

O mais engraçado de meu rápido safári arquitetônico pelo Centro de Passo Fundo foi olhar para uma série de predinhos que iam se avolumando na rua e, como um cão perdigueiro, farejar: isso é ambiente de estação. Eu não saberia explicar racionalmente, ao menos não de ‘bate pronto’. Mas para mim era óbvio: eram edifícios que “ornavam” com essa porta de entrada das cidades, portão dourado de todas as novidades e celebridadas que chegavam. Além, claro, dos miseráveis, das cargas, dos bandidos, das prostitutas.

Meu “faro” dizia que a dita não devia estar longe…

Andei uma quadra, vi um vazio e um extenso guarda-corpo – achei que era um mirante, mas era apenas uma mureta postada na rua alta, que isolava um barracão comprido, lá embaixo.

Perguntei a um casal que esperava o ônibus. Batata. Era a antiga Estação Ferroviária, claro que desativada.

Adoro me sentir assim um médium… rsrsrsr Faz sentido então estudar tanto cidades!

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o patrimônio não mente

Passo Fundo foi fundada na segunda metade do século XIX. É uma cidade relativamente jovem, como quase tudo no Continente de São Pedro do Rio Grande.

Seu casario diz que não foi importante no século XIX. Não há nada neoclássico.

O eclético é pouco e tímido… Na Primeira República a coisa aqui também não andava lá muito bem. Terra de colonos lutando ainda para se afirmar. Teriam demolido muita coisa? Talvez. Mas não para construir coisas muito maiores.

Passo fundo acorda nos anos 1940. Deixou passar o art déco quase incólume, para se cobrir de edifícios do primeiro modernismo, aqueles de varandas arredondadas e guarda-corpos de tubos paralelos que lembram navios… Engraçada essa arquitetura assim tão náutica a tantos quilômetros do mar.

Curiosamente, dos pilotis e grandes panos de vidro do modernismo dos anos 1950, nada. Parece que a cidade não festejou a Era JK.

Pior para os passo-fundenses, que tiveram que engolir a arquitetura insossa dos anos 1960 e 70, quando surgem os primeiros arranha-céus, praga renovada e construída ano após ano até hoje.

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nas coxilhas da fronteira

Cheguei neste último dia e domingo de setembro na cidade de Passo Fundo.

Com pouco menos que 200 mil habitantes, Passo Fundo é uma cidade média gaúcha, menor que Caxias do Sul e Pelotas, mas rica pela agroindústria.

Conheço Pelotas e Rio Grande, cidades portuárias (mas não marítimas), ligadas à grande pecuária dos pampas. Mas não estava bem preparado para Passo Fundo.

Como estou em uma área rural, bem longe do mar, imaginava algo semelhante ao interior de São Paulo.

Mas a cidade é surpreendentemente diferente.

É muito verticalizada para seu tamanho e população. Em certos trechos lembra uma pequena metrópole.

E tem ruas deliciosas, cercadas de plátanos. As pessoas, principalmente os jovens (é um centro universitário), põem cadeiras nas calçadas largas e fazem rodas de chimarrão. Essas ruas, no Centro, lembram o Uruguai ou a Argentina.

Muito interessante.

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drama do blogue desde a Europa

Desabafo: o blogue da WordPress é ótimo para textos, mas para fotos é péssimo. Não há jeito de determinar a ordem em que ele coloca as imagens postadas. A gente arruma em uma ordem precisa e na hora de publicar ele troca tudo. Sofri com isso na Europa e sofro hoje de novo.

De qualquer forma, relevem a ordem caótica das imagens no último post.

Grrrrr

ps.: se você abrir primeiro a foto noturna (topo do Empire State) e ir clicando as próximas, a ordem das imagens fica correta. Vai entender…

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Nova York

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terra à vista – depois de muito Caribe e Triângulo das Bermudas, a América do Norte!

costa leste da América do Norte, ao sul de Nova York (estado de New Jersey).

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deixando a América do Sul rumo ao Caribe

Foz do rio Essequibo, na costa da Guiana. É uma costa de água marrom, típica da Amazônia, pelos muitos sedimentos que os enormes rios carregam.

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o incrível de NY

Empire State Building visto do topo do Rockefeller Center

Se você quer ser surpreendido, pule este post. Ele não traz novidade nenhuma. Nem mesmo em relação ao meu passado – ainda tão recente – de viajante.

Minha pele arrepiou inteira ao ver o Coliseu e o Partenon. Me embasbaquei com a Torre Eiffel e me emocionei de dar nó com o Big Ben tocando grave às margens do Tâmisa. Podia ser uma palácio perdido que quase ninguém conhece ou um vitral qualquer de uma anônima igrejinha de bairro, mas não. Foram as velhas e batidas mega-atrações-de-sempre que me arrastaram além, desculpem.

Nova York não foge à essa regra. Muita coisa é linda, mas es-pe-ta-cu-lar é o Empire State, pairando no ar com sua agulha quase infinita. Perfeito em sua geometria. Poesia em concreto e aço inox. Cheguei a caminhar de costas só para continuar a vê-lo nas rotas contrárias.

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sobre os museus

Talvez mimado pelos Louvres da vida, o fato é que não gostei dos museus de NY. Com uma única exceção: o encantador MoMA.

O povo jogado no chão, o clima relax, fotos permitidas, experimentalismo ultra contemporâneo ao lado (ou abaixo) de Monet, luz, amplitude, um acervo deslumbrante. O MoMA é exatamente o que diz ser: moderno.

O resto é resto.

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pílulas de NY – 2

– Ao contrário da lenda generalizada de que estadunidenses compram até pipoca em estádio com cartão de crédito, o que vi em todos os lugares foi muito dinheiro vivo correndo. Até na loja de eletrônicos B&H – coisas caras – havia caixas reservadas apenas para pagamento cash.

– Há muitas delis em NY, a maioria misturando autosserviço (tipo saladas e sanduíches prontos e bebidas, tudo em gôndolas refrigeradas), comida em rechauds como em um quilo (só em algumas lojas) e balcões onde você pede para montar seu sanduíche ou prato. Uma pessoa gasta em média 12 dólares para comer um sanduíche, um iced tea e um doce.

– Descobri com alegria que minha deli britânica predileta, a Pret a manger (100% autosserviço), possui montes de filiais em NY. Total dejá vu. Mas apenas meia alegria: o sanduíche de pato com geleia, que me deliciava nas terras da rainha, não existe em NY.

– UK x USA: o inglês é uma língua de contrastes. O to take away (versão anglófona do nosso “para viagem”), que eu usava com grande sucesso em Londres & Edinburgh, só servia para deixar os atendentes das delis de NY confusos. Demorou para eu perceber que os ianques usam um simples “to go” quando querem levar a comida pra casa (ou hotel). 

– Ecologia zero. Na Europa, eu – já 100% local – andava sempre com uma resistente sacola húngara na mochila e fazia a alegria dos balconistas ao pronunciar as palavras mágicas: I have a bag. Supermercados e delis europeus odeiam te dar sacolas. Em NY, ha ha ha. Eu dizia que tinha a sacola e eles me olhavam como se eu fosse de Marte, enquanto iam pondo minhas coisas em uma sacola novinha, sem pestanejar…

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